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FROTA RENOVADA TRARIA MAIS CONFORTO PARA A POPULAÇÃO DE CURITIBA

Curitiba, 19 de abril de 2017 | 16h18

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renovação da frota do transporte coletivo de Curitiba é uma das propostas em estudo que pode trazer mais conforto e segurança para quem utiliza o transporte coletivo. Para a administradora Neuza Munhões, 58 anos, que pega ônibus diariamente, é ruim a atual condição e o número de veículos nas ruas. “É um problema grande e uma frota muito pequena, são muito os passageiros. Do jeito que está acredito que as coisas só tendem a piorar. Mas não sei se muda algo para o passageiro. O que precisa mesmo é colocar mais ônibus nas linhas, de preferência, novos”.

 

De acordo com o professor doutor em desenvolvimento econômico e membro da Plenária Popular do Transporte, Lafaiete Neves, os problemas com a frota vêm de falhas contratuais. “Temos 300 ônibus com a vida útil vencida. Isto provoca acidentes. Por contrato, as empresas teriam que renovar as frotas, mas em processo na Justiça, elas ganharam uma liminar que as desobriga a comprar novos ônibus, alegando desiquilíbrio econômico-financeiro. Isto vem de um erro no contrato, não incluíram uma cláusula de propósito específico no último contrato, que determinasse a renovação da frota”, esclarece. Para ele, a solução para esta e outras divergências entre a Urbs e as empresas de ônibus passa pela anulação ou pela repactuação do contrato firmado.

 

Prejuízos

Professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eduardo Ratton, concorda que utilizar veículos com a vida útil vencida é prejudicial a todo o sistema. “Isso corrobora com o aumento no número de acidentes e aumenta até a poluição ambiental. É uma questão contratual, de modernização, que parou, não avança. A prefeitura tem atendido as demandas das empresas, mas em contrapartida, não está sendo bem feita esta triangulação. As planilhas sempre foram uma caixa-preta, a empresas alegam prejuízo, mas por que não abandonam o trabalho? Falta transparência. Um fórum de discussão poderia ser criado com os usuários, para discutir este e outros temas”, argumenta.

 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, ter ônibus em boas condições é algo primordial. “Uma frota nova tem custo benefício positivo, os ônibus mais novos consomem menos peças e menos combustível e a manutenção é prevista dentro de um limite. Os que circulam hoje não estão em mau estado, mas já têm um custo de manutenção muito alto. Um ônibus mais velho dá mais despesa e estraga mais, e isto encarece a tarifa”.

Urbs diz que negocia com as empresas a troca dos ônibus 'vencidos'. Fotos: Felipe Rosa.

Urbs diz que negocia com as empresas a troca dos ônibus ‘vencidos’. Fotos: Felipe Rosa.

Em negociação

Sobre o assunto, a Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) divulgou que busca negociar com as empresas de ônibus uma “solução amigável” para o problema dos ônibus vencidos, veículos que deveriam ter sido substituídos, pelo fim da vida útil, mas que continuam circulando em decorrência de processo judicial. Ainda segundo a Urbs, o porcentual da tarifa referente à frota é utilizado na amortização dos ônibus dentro da vida útil e os vencidos são descontados da tarifa técnica.

“Se as empresas concordarem, assim que elas apresentarem as notas fiscais dos ônibus novos à Urbs, pelo Fundo de Urbanização de Curitiba, começa a amortizar essa aquisição”, diz o presidente da Urbs José Antônio Andreguetto. Pelo contrato, o pagamento é dividido em várias parcelas, assim, no fim da vida útil, as empresas recebem 90% do valor mais um ônibus velho. Ainda de acordo com Andreguetto, para recuperar os usuários do transporte, a empresa tem que investir em qualidade.

 

Em nota, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) explicou que a renovação de frota é importante e que as operadoras do transporte coletivo são totalmente favoráveis nesse sentido. “Mas, com um saldo devedor que chega a R$ 1,3 bilhão, como é possível investir em veículos? Não há fôlego financeiro. Por isso, em 2013, as empresas entraram na Justiça e obtiveram uma liminar que as desobriga de renovar a frota enquanto não for analisado esse desequilíbrio”, defende a entidade empresarial.

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